OBRAS DE INFRAESTRUTURA
DO BR153 EMPRESARIAL ESTÃO AVANÇADAS

A zona leste de Rio Preto vive uma fase de franca expansão e está caminhando para se tornar uma das localidades mais atrativas da cidade e um vetor para novos investimentos, que só nos próximos anos vão superar os R$ 200 milhões. Esse crescimento é resultado de uma junção de fatores, tendo como um dos protagonistas a duplicação da rodovia BR-153.

A via que era sinônimo de medo e insegurança está se transformando em símbolo de desenvolvimento – mesmo antes do término das obras de duplicação, o que já era previsto por empresários e investidores.

“A BR 153 tem um poder de desenvolvimento maior do que o da Washington Luís porque ela é a grande via que conecta Minas e São Paulo, regiões que movimentam a economia brasileira”, afirma Eduardo Gorayeb, especialista em urbanização.

Há duas décadas, a rodovia era uma barreira cultural e atraía pouca atenção de moradores e empresas. Um dos poucos bairros da região, o São Deocleciano, era considerado o fim da cidade. “A única coisa que atraía as pessoas para a Zona Leste era a proximidade com a Represa, mas isso mudou muito rapidamente”, diz Rafael Coelho, diretor-executivo da Coelho Engenharia.

Segundo Gorayeb, a região vive hoje a mesma expansão sustentável que ocorreu com a zona norte de Rio Preto anos atrás. “A grande diferença é que a infraestrutura foi melhor planejada, por isso a valorização está sendo mais rápida. Enquanto zona norte cresceu através de loteamentos, a leste foi desenvolvida por meio de um planejamento urbanístico e viário”, conta.

A expansão teve início nos anos 2004, quando a região recebeu alguns dos seus primeiros condomínios residenciais: Maristela, Barcelona e Atenas, lançados pela Rodobens. Na época, a infraestrutura foi da Encalso. Gorayeb, que era diretor da Rodobens Negócios Imobiliários na ocasião, foi um dos responsáveis pelo planejamento e desenvolvimento urbanístico da região.

“Na época, as obras de duplicação da [rodovia] BR-153 ainda não tinham começado, mas já sabíamos desse projeto que melhoraria o acesso e traria desenvolvimento. Foi tudo planejado com base em dados e pesquisas”, diz.

Além da iniciativa privada, a região também despertou a atenção do poder público. Tanto que a zona leste foi um dos destaques do Plano Diretor do município, que organizou a cidade em dez regiões de acordo com as vocações de cada área, seguindo desenvolvimento econômico, social e ambiental. “A zona leste é uma das que está mais se beneficiando neste aspecto e a chegada de investimentos é um reflexo de que o Plano está sendo bem aceito”, afirma o vice-prefeito e secretário de Planejamento Estratégico de São José do Rio Preto, Orlando Bolçone.

A facilidade de acesso influenciou no crescimento populacional, que exigiu a instalação de equipamentos públicos e atraiu diferentes tipos de comércios. Logo, a região passou a se tornar sustentável atraindo também novos investimentos.

Investimento e localização

O desenvolvimento da Zona Leste tornou sua localização uma das mais atrativas da cidade para moradores e empreendedores. Os investimentos previstos para a região são inúmeros. Tanto que até julho de 2022 a região deve ganhar um polo de desenvolvimento comercial e empresarial. O Centro Empresarial BR 153, localizado à margem da rodovia, é idealizado pelo Grupo TCL. Ato todo serão 263 lotes (41 abertos e 222 fechados) para comércio, serviços e indústrias limpas.

Outro centro comercial deve ser anunciado no primeiro semestre do ano que vem, junto de três condomínios verticais. O empreendimento será construído em um terreno de 90 mil metros quadrados entre os bairros São Miguel e São Deocleciano, afirma Rafael Coelho. Com investimento de R$ 180 milhões, a obra é uma parceria com a Federação dos Comerciários. “Esses atrativos mais o conforto do atendimento comercial vão tornar a região ainda mais interessante aos olhos do consumidor”.

Com investimento de mais de R$ 70 milhões, outro condomínio residencial que será lançado na região é Fenhouse, da construtora Pacaembu. Composto por 412 residências de dois e três dormitórios com planta pré-moldada, o empreendimento está sendo implantado na Avenida Belvedere.

O distrito de Engenheiro Schmitt também vai receber um lançamento no ano que vem. Trata-se de um condomínio de apartamentos da marca Taflex. De acordo com o vice-presidente da Tarraf, Olavo Tarraf Filho, os apartamentos serão vendidos na faixa de R$ 200 mil a unidade. “Queremos atender toda essa massa de pessoas que passou a trabalhar na região leste por conta desses novos comércios”. O valor geral de vendas é de R$ 100 milhões.

Para quem estiver em busca de um loteamento aberto, a Construtura Emais Urbanismo possui um em processo de aprovação, com aproximadamente 4 mil lotes. Segundo o presidente da incorporadora, Edson Tarraf Junior, o espaço será criado com conceito de bairro para pessoas. “Cada um com o seu diferencial, mas sempre priorizando a segurança e a qualidade de vida das pessoas”.

Em dezembro de 2019, a Emais já havia lançado o loteamento Maisparque Rio Preto, com 1.537 lotes com uma área de lazer de aproximadamente 16 mil metros quadrados.

A Zona Leste também é destino de empreendimentos que querem oferecer opção de lazer. É o caso da WA Sports Center, complexo esportivo com foco em beach tênis. Construído em uma área de 10 mil metros quadrados próximo ao distrito de Talhado e com um investimento de R$ 5,5 milhões, o WA Sports Center promete ser um dos maiores complexos esportivos de Rio Preto.

A área foi escolhida por ser uma região de grande expansão na última década. “A localização possibilita fácil acesso e ao mesmo tempo pode proporcionar ao aluno a integração com a natureza”, afirmam os proprietários Wilson Sant’ana Menezes e Adhemar Oliveira Filho.

Região tem de tudo
A população da Zona Leste cresceu 53,7% nos últimos 11 anos, segundo a empresa Resultada, especializada em pesquisa do setor imobiliário. Atualmente, são 27,6 mil moradores. Há pouco mais de dez anos, o aposentado Sérgio Carvalho, 79 anos, se mudou com a mulher e a filha para o condomínio Barcelona, na Avenida Belvedere. Na época eram poucas as opções de comércio e de trajetos para chegar em casa. Ele foi um dos que acompanhou a transformação urbana do local, considerado periférico até uma década atrás. “Não esperava esse crescimento em tão pouco tempo, mas a evolução foi muito positiva. Hoje, temos de tudo aqui e não precisamos sair da região para mais nada”.

A região também foi escolhida pela profissional de RH Jéssica Moreto Soares. Ela, o marido e a filha vieram de São Paulo direto para a região Leste de Rio Preto, em um dos condomínios do Parque da Liberdade. A segurança foi um dos fatores que mais influenciou, já que Jéssica pode deixar a filha brincar nas ruas do condomínio sem preocupação. “Em São Paulo ficávamos dentro de casa o dia todo. Não penso em ir para outro lugar”. (FN)